/ 4º trimestre 2018

DIZER QUE NÃO!

 

Eu queria dizer que não,

Mas estou contigo.

Eu queria dizer que não,

Mas não consigo.

 

Este é o início de uma música do artista português Dengaz cujo nome dá título a este texto.

 

Ao ouvir esta música lembro-me sempre da força que temos de fazer para dizer que não a algo. Quantas vezes achamos que o não é a palavra certa a usar porque reflete a atitude certa, a decisão certa, mas não conseguimos.

E, por outro lado, são também tantas as vezes que ouvimos o não soando a palavra errada porque não encaixa nos nossos limites de aceitação.

 

Dizer que não pode estar certo numa perspetiva e errada noutra. Para uns é uma verdade mas para outros é uma mentira. Para uns é a sua realidade e para outros, uma realidade diferente.

Vive-se num mesmo mundo mas com realidades diferentes. A realidade de cada um, a que cada um monta na sua cabeça. São perceções diferentes sobre uma mesma coisa, em que uns encaixam o não como certo e outros o tomam incompreensível.

“A minha realidade”, dizem as pessoas!

 

Vivemos perante realidades diferentes na ótica de cada um mas, atenção, vivemos debaixo de uma verdade única. Não há duas verdades. Só uma – A Verdade.

 

A Verdade é o que, em cada momento, as pessoas estão a construir com as suas atitudes e decisões se, e só se, o estiverem a fazer na plenitude da sua consciência e sem segundas ou terceiras intenções, ou seja, quando as atitudes e decisões são tomadas com plena naturalidade, tranquilidade e serenidade interior. Penso que, quando a nossa mente precisa de rebuscar razões para nos confortar em determinada atitude ou decisão, então devemos duvidar do que estamos a empreender.

 

A Verdade não é uma perceção, não tem a ver com ótica mas sim com o que fazemos com o presente. O que decidimos hoje, o que fazemos hoje é a Verdade que vamos construindo.

Está tudo certo. Vai dar tudo certo se as decisões e atitudes que tomamos forem “verdadeiramente de dentro de nós”. Sentidas e não pensadas.

Sentimos hoje que queremos tomar uma decisão, então nunca nos entrará uma sensação de remorso, culpa, ansiedade ou medo, nos momentos seguintes.

Nada. Está tudo certo…porque é a Verdade sentida e não mentalizada.

 

Quando o não e sim que usamos em cada momento precisa de ser justificado, já não é a Verdade. É a realidade construída por quem quer usar aquele não ou aquele sim. É mental. É calculismo.

A Verdade não precisa de explicação, não precisa de justificação porque as decisões que são tomadas debaixo da sua pureza têm uma aceitação óbvia. Quer o decisor quer os envolvidos sentem que “está tudo bem”.

Quando não se sente “está tudo bem” mas sim pensa-se “se está tudo bem”, então entra-se no campo da construção das realidades em vez de se fazer o caminho da Verdade.

 

Por vezes dou comigo a querer dizer que não a esta vida de pessoas e personalidades a dirimirem-se de explicações e justificações para enquadrarem a razão porque “atiram as suas pedras”, porque tomam certas atitudes e decisões.

Queria dizer que não, mas não consigo.

 

Não consigo e ainda bem que não pois, o que sinto é outra coisa. Descobri que querer não é poder. Querer só é poder se for sentido. Se vier do fundo.

É por isso que não consigo dizer que não, porque quero mas não sinto que quero.

 

É por isso que muitos querem uma coisa mas só alguns a conseguem.

Querer só é poder se vier do fundo, da alma.

 

Obrigado.

 

Este período de festas natalícias estimulam o nosso interior e daí a minha opção por esta reflexão um pouco além da gestão. 

Os meus sinceros desejos de um Feliz Natal e um Ano 2019 corajoso para todas as nossas vontades.

José Miguel Marques Mendes

Administrador Executivo

 

UM COMPROMISSO DE GESTÃO

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