/3º trimestre 2013

Regresso de férias

Regressamos ao trabalho depois de umas férias a pensar nele. Nos dias de incerteza como os atuais, é impossível fazer um pleno de férias sem pensar no trabalho.

Para a Mistura Singular, pensar no trabalho é pensar nas organizações e na forma como enfrentam a abrasão diária.

 

Há dias, numa loja da baixa do Porto, perguntava-me uma senhora, depois de lhe dar os dados da Mistura Singular para emitir fatura:

- … e o que é que faz a empresa?

Expliquei com alguma simplicidade e numa analogia com a saúde, que nos comprometemos com as empresas a melhorar a sua saúde, e a senhora, curiosa, continuou:

- e quando é que pedem ajuda?

A resposta a esta questão inspirou o texto que se segue. Uma reflexão sobre os sintomas das empresas, porque as empresas sentem e libertam sinais.

Para atuar, basta apenas prestar atenção a alguns desses sinais.

 

Há, com maior frequência que o desejável, um sentimento de impotência para melhorar a empresa.

Sente-se a confusão!

Internamente, nas reuniões com as pessoas, nas suas animosidades, nas decisões a tomar onde os caminhos parecem múltiplos. Com os contratempos diários que não param de surgir, com as chefias a mostrarem insegurança e estados de alma, com os colaboradores a trabalharem muito sem a certeza de estarem a contribuir, com os desabafos nos corredores, com a informação que abunda mas que já ninguém quer prestar atenção.

Externamente, nas várias relações com os mercados, em que os fornecedores ligam todos os dias a cobrar e a dificultar fornecimentos, os bancos a cobrarem taxas por tudo e por nada e a pedirem garantias reais para qualquer necessidade que a empresa tenha e, ainda, com os clientes a sentirem a empresa a “fugir-lhes” e as parcerias a tremerem com a incerteza.

 

Há, com maior frequência que o desejável, um sentimento de impotência para melhorar a empresa.

Sente-se a impreparação!

Em alguns casos as equipas são mesmo fracas mas, na maioria das situações, o sentimento de impotência não tem a ver com défice de faculdades individuais mas antes, uma fraqueza organizacional. A empresa não é uma organização, é um conjunto de pessoas.

O todo está mal porque as partes que o constituem não estão suficientemente articuladas e focadas.

O todo não tem rumo e como tal não pode polarizar as partes.

A liderança do topo está “variável e variando” e a hierarquia não se consegue alinhar.

Não chega ter equipamentos, pessoas, clientes e produtos para que uma empresa funcione bem e com rentabilidade. Isso sente-se.

 

Há, com maior frequência que o desejável, um sentimento de impotência para melhorar a empresa.

Sente-se a falta de dinheiro!

As empresas estão sem dinheiro e essa falta de dinheiro põe tudo em causa. Os acordos com os fornecedores não estão otimizados, as matérias-primas rareiam, os colaboradores vão tendo atrasos de recebimento, os bancos vão cobrando mais que o aceitável.

Tudo fica pior a partir do momento em que o dinheiro deixou de ser um meio para ser um fim em si mesmo. Um fim porque, em vez dos financiamentos à empresa serem um meio para a gerir, com a falta de dinheiro, a empresa passa a ter um único motivo - pagar juros e capital. Os objetivos da empresa passam a ser os bancos em vez dos clientes e acionistas.

Não é uma crítica aos bancos porque eles não querem a quebra das empresas, antes pelo contrário, querem-nas saudáveis e fortes para lhes emprestar dinheiro.

A falta de dinheiro não pode pôr em causa a conta de exploração, isto é, o negócio não se pode ressentir. Se assim for, de que vale endividar mais a empresa se esta já não tem negócio?

 

Há, portanto, um momento para intervir, estancar as adversidades e dar a volta ao panorama.

A necessidade de uma intervenção, sente-se. Uma intervenção de gestão.

Que ninguém tenha ilusões. A reviravolta de uma empresa assenta na gestão e tudo o resto são efeitos associados.

E o que é isso de gestão? Para que serve a gestão?

.Para organizar o controlo de gestão – todos alinham pela mesma informação.

.Para estruturar o negócio – ajustar a dívida ao negócio.

.Para criar método de trabalho – dominar o quotidiano e envolver as pessoas.

.Para fomentar a liderança – tomar decisões e reduzir a entropia.

.Para motivar os colaboradores – a “vitamina” do sucesso.

 

Mas cuidado! Como em todas as atividades, não basta ser-se algo para ser-se bom. Não basta ser-se médico para ser-se considerado um bom médico.

Há gestão e gestão.



José Miguel Marques Mendes
CEO


 

UM COMPROMISSO DE GESTÃO

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